ALE JORDÃO NASCEU E VIVE EM SÃO PAULO. ESTUDOU NA FAAP NA SEGUNDA METADE DOS ANOS 90, COM SANDRA CINTO, DORA LONGO BAHIA, PAULO PASTA, FELIPE CHAIMOVICH, EDU BRANDAO, CARMELA GROSS E REGINA SILVEIRA E NELSON LEIRNER – PRINCIPAL REFERÊNCIA PARA O ARTISTA. ESTUDOU TAMBÉM NA DOMUS EM MILÃO, ESCOLA ORIGINÁRIA DA EXPERIÊNCIA DO DESIGN E ARQUITETURA PÓS-MODERNOS ITALIANOS DOS ANOS 70 E 80. JORDÃO INICIA A VIDA ARTÍSTICA PROFISSIONAL EM 2001 E AO LONGO DA CARREIRA VEM DEFININDO UM CORPO DE TRABALHO POTENTE E COMPLEXO, MATERIAL E CONCEITUALMENTE.

PARA JORDÃO, O OBJETO-OBRA NÃO É APENAS AQUILO QUE SOBRA DE UM PROCESSO CONSTRUTIVO, MAS ALGO QUE SE FORJA E RETÉM OS SIGNIFICADOS DOS MODOS DE CONSTRUIR, DEIXANDO-OS EXPLÍCITOS, COMUNICATIVOS, VIVOS NO OBJETO. A TECNOLOGIA E O DESIGN DIZEM MUITO SOBRE O RESULTADO MATERIAL E IMATERIAL QUE O ARTISTA DESEJA PRODUZIR. OS OBJETOS-OBRAS DE JORDÃO SÃO CONJUNTOS DE ELABORADAS PRODUÇÕES QUE PODEM ENVOLVER TECNOLOGIAS COMPLETAMENTE DISTINTAS, COMO A PRESENTE NA TELA EMOLDURADA COM MATERIAL DE BLINDAGEM (1) QUE RECEBE TIROS DE PISTOLA OU NOS MOVEIS FEITOS DE METAL RECICLADO DE FUSCA (2). OU AINDA AÇÕES DE MAPEAMENTO CONTÍNUO, COMO O PROJETO “BOKA LOKA”, NO QUAL O ARTISTA COLA ADESIVOS (STICKER ART) EM VÁRIAS CIDADES PELO MUNDO TODO.

NÃO APENAS O OBJETO, MAS TAMBÉM O CONTEXTO ONDE ELE SE INSERE É IGUALMENTE IMPORTANTE PARA O ARTISTA E ESSE CONTEXTO É TAMBÉM PRODUTO DE INTENSA ELABORAÇÃO CONCEITUAL E PLÁSTICA. EM 2002 JORDÃO INICIA A PRODUÇÃO DE UMA SÉRIE DE OBJETOS CALIGRÁFICOS USANDO A LUZ DE NEON COMO SUPORTE. O LUMINOSO FOI APRESENTADO NUMA FESTA-HAPPENING – ENTENDIDA COMO MÍDIA ESPECÍFICA, MULTIDISCIPLINAR E INTERATIVA. TODO O APARATO QUE COMPÔS O EVENTO DA FESTA – CONVITES, LISTA DE CONVIDADOS, HOSTESS, DJ, DRINKS – BEM COMO A ESCOLHA DA LOCAÇÃO – CAFÉ PHOTO (3) – FORAM COMBINADOS DE MODO A CRIAR UM AMBIENTE ONDE A FRUIÇÃO DA ARTE PASSOU A SER PARTE NATURAL DE UM PROCESSO SOCIAL, UMA EXPERIÊNCIA VIVENCIAL, COLETIVA E TEMPORAL. A EXPERIÊNCIA SE DESDOBROU NUMA SÉRIE DE FESTAS-OBRAS, COMO A DO MERCADO MUNICIPAL (4) E A DO TOMIE OHTAKE (5).

CO-AUTOR DO PROJETO N.A.U. (6) , O ARTISTA ORGANIZA CONTEINERS NUMA TRAVESSA DA AVENIDA PAULISTA, ONDE APRESENTA – DENTRO E FORA DELES – UM CONJUNTO DE INSTALAÇÕES SUAS E DE OUTROS ARTISTAS QUE SURGEM, DE REPENTE, NUM LOCAL DE INTENSO TRÁFEGO POPULAR. AQUI, JORDÃO AVANÇA NA SUA INVESTIGAÇÃO SOBRE O CONTEXTO EM TORNO DO QUAL SÃO APRESENTADAS AS SUAS OBRAS, CONSTRUINDO UMA GALERIA TEMPORÁRIA, INTERVINDO NO ESPAÇO URBANO ATRAVÉS DE UMA CONSTRUÇÃO ARQUITETÔNICA E UM PROGRAMA DE ARTE.

PARA ALÉM DAS QUESTÕES DO OBJETO E DO CONTEXTO, AO LONGO DA SUA CARREIRA, O ARTISTA TORNA CADA VEZ MAIS EXPLÍCITO SEU INTERESSE PELA COLABORAÇÃO. JORDÃO TRABALHA EM ASSOCIAÇÃO COM DESIGNERS, ARQUITETOS, PRODUTORES DE EVENTOS E OUTROS ARTISTAS DESDE SUA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA – O STUDIO MÃOS – CRIADO EM 2000. O PROCESSO COLABORATIVO SURGE COMO POTENCIALIZADOR DE SITUAÇÕES QUE ENVOLVEM A APRESENTAÇÃO DE SUAS OBRAS. A COLABORAÇÃO PERMITE AO ARTISTA EXPANDIR SEU CAMPO POÉTICO E DIALOGAR COM DIFERENTES DISCIPLINAS, ALÉM DE AMPLIAR A CAPACIDADE DE ELABORAÇÃO DAS SUAS APRESENTAÇÕES. ATRAVÉS DE INSTALAÇÕES COMPLEXAS, IMERSIVAS, MULTIDISCIPLINARES E TEMPORÁRIAS, O ARTISTA EXPLORA NOVAS DINÂMICAS NO RELACIONAMENTO COM O PÚBLICO E EXPANDE O ESPAÇO DA ARTE PARA ALÉM DAQUELES CONVENCIONAIS.

NO SEU RECENTE PROJETO “DESPEGO/TRASH AWAY” (7), O ARTISTA REFORÇA AS QUESTÕES QUE VEM INVESTIGANDO HÁ TEMPOS E PROPÕE UMA NOVA ABORDAGEM A EXPOSIÇÃO DE ARTE EM ESPAÇO PÚBLICO. “DESPEGO” É UMA INTERVENÇÃO PERMANENTE NO ESPAÇO PÚBLICO, UMA AÇÃO COLABORATIVA E UMA OBRA-SITUAÇÃO. OPERANDO COMO NUM ESPAÇO EXPOSITIVO AO AR LIVRE, JORDÃO COMISSIONA ARTISTAS A TRANSFORMAR DE TEMPOS EM TEMPOS, UMA EXTENSÃO DE MURO LOCADO NO CENTRO DA CIDADE, VIZINHO AO EDIFÍCIO COPAN, COM INSTALAÇÕES TEMPORÁRIAS, GRAFFITI E OUTRAS INTERVENÇÕES E VÁRIOS ARTISTAS. NUM DADO MOMENTO, JORDÃO APRESENTA TAMBÉM SUA INSTALAÇÃO, CONSTRUINDO COM OBJETOS VARIADOS DE ÉPOCAS VARIADAS UMA ESPÉCIE DE ‘MOSTRA RETROSPECTIVA’ DE OBJETOS SEUS. NENHUMA REGRA DEFINE A PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO, QUE PODE VER OS OBJETOS PENDURADOS NO MURO, MEXER COM ELES E ATÉ MESMO LEVA-LOS PARA CASA. ASSIM COMO NA “EXPOSIÇÃO NÃO EXPOSIÇÃO” DE LEIRNER, NUMA CRÍTICA EXTREMA AO CONSUMISMO, JORDÃO SE DESPRENDE DE SEUS OBJETOS-OBRAS E TRANSFORMA O PROCESSO DA TRANSFERÊNCIA DE POSSE, NO MOTE DA EXPERIÊNCIA DO PÚBLICO.

1 OBJETO-OBRA DA SÉRIE “SEX & VIOLENCE”, 2012 – OBJETOS-OBRAS PRODUZIDOS COM TECNOLOGIA E MATERIAIS USADOS NA INDÚSTRIA DA BLINDAGEM.

2 OBJETO-OBRA DA SÉRIE “CARS NEVER DIE” – OBJETOS DO COTIDIANO DO ARTISTA REPRODUZIDOS EM LATA MARTELADA DE CARROS DESMANCHADOS.

3 PIMP AND HO, HAPPENING-FESTA, CAFÉ PHOTO, SÃO PAULO.

4 BLACK MARKET, HAPPENING-FESTA, MERCADO MUNICIPAL, SÃO PAULO.

5 PAINT HOUSE, HAPPENING-FESTA, INSTITUTO TOMIE OHTAKE.

6 PROJETO N.A.U. – NÚCLEO DE ARTE URBANA, INSTALAÇÃO URBANA TEMPORÁRIA, AVENIDA PAULISTA, SÃO PAULO.

7 PROJETO “DESPEGO/TRASH AWAY”, INSTALAÇÃO EFÊMERA REALIZADA DENTRO DO THE WALL RIDE PROJECT – INTERVENÇÃO URBANA PERMANENTE, CENTRO DE SÃO PAULO.

TEXTO: BAIXO RIBEIRO

Font: http://alejordao.com/ale.html

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