PERDA – RAFAEL HAYASHI

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PERDA

O corpo sempre foi o eixo do trabalho de Rafael Hayashi. Artista plástico formado no Instituto de Artes da UNESP fez da pintura a carne do seu produto artís- tico.

No início de sua pesquisa imagética a linha modelava os corpos humanos. Essa linha foi ganhando corpo, variações de espessura, sob forte influência da caligra- fia oriental. Gradualmente, a expansão da linha virou preenchimento e mancha, mas o movimento largo e contínuo nunca desapareceu. Hayashi migrou do de- senho para a pintura de forma lenta e natural, sem fron- teira abrupta, já que o protagonismo reside no gesto, não na técnica. O gesto do traço, ou pinceladas, en- contra rima no gesto das figuras representadas. Essa relação é pilar de coerência na história do pintor. Seus desenhos e pinturas têm muito de dança.

PERDA é o nome da exposição que condensa os tra- balhos mais maduros deste percurso. Aqui o movi- mento das pinceladas tem como base a anatomia hu- mana, mas se desprende da representação realista. Os músculos se dissolvem em nuvens viscerais, nebu- losas. Existe abstração dentro da figuração. Os corpos são maciços, mas o aspecto gasoso do acabamento e o branco que cerca e isola as escuras figuras atribui a elas leveza fantasmagórica. Em algumas pinturas, pequenos elementos chapados ‒ facas ‒, contrastam com a característica pictórica do resto do trabalho, re- forçando a singularidade da pesquisa de Hayashi. O peso das figuras empresta aos trabalhos uma carac- terística escultórica. O relevo da tinta é visível. Ela é aplicada e depois removida, com um pedaço de tecido, abrindo manchas de luz na sombra. Esse movimento associa-se mais com a escultura que com a pintura, já que não trabalha acrescentando, mas sim retiran- do material,e revela algo que se escondia na matéria opaca.

A dimensão dos trabalhos de PERDA é a do indivíduo e suas relações. Não existem cenários, mas uma pais- agem sentimental. Não existe horizonte pois o olho é do humano sobre o humano, não do humano em seu meio. A tragédia é inegável. Tragédia como filtro de leitura do mundo e das relações, não como fato. Ela se lê na forma como os corpos se torcem e se entrelaçam. Mesmo o desejo vibra trágico, junto com raiva, angústia e muitas vezes ternura. Esta última também se veste de tragédia, em clima de Pietá…. Aqui, na esfera do conteúdo, o contraste novamente aparece:Ternura e Tragédia convivem, e o contraste dos conceitos grifa suas particularidades. A pintura é vibrante pois Hayashi rege as tensões criadas pelos contrastes com firmeza e competência.

Henrique Souza Vieira

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