Exposição “DI” Pichar é Humano

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EXPOSIÇÃO “DI” – PICHAR É HUMANO

#DI# “Pichar é Humano”, é uma homenagem a Edmilson Macena de Oliveira, o #DI#, considerado por muitos como o maior Pixador da década de 90. Transcendeu a questão da pichação ser ou não arte, o artista que além da coragem e destreza, realizou criações inovadoras e revolucionou os conceitos da pichação e do campo das artes.

#DI# pensava e atuava na pichação como arte contemporânea, cravou sua caligrafia nos topos de importantes instituições artísticas e prédios emblemáticos da cidade, instalou uma escultura de concreto em frente ao parque Ibirapuera, escreveu uma carta ao Governador da época e confundiu jornalistas.

#DI# “Pichar é Humano” traz uma pesquisa séria e afetiva, idealizada pelo amigo “Dino”, com curadoria de Sérgio Miguel Franco, co-curadoria de Enivo, Fotografias de Martha Cooper, Henrique Madeira, Gravuras de Cristiano Kana e documentário com direção de Bruno Rodrigues e produção de Jah Jah Filmes. A mostra conta com fotografias, matérias de jornais, escultura e documentário sobre o artista. Todo material estará disponível para venda e o recurso obtido será revertido ao filho do #DI#.

“Hoje, ao formular uma exposição individual do DI também fazemos história, porém agora com o protagonismo da cultura popular que ele representa, que desenvolveu estratégias expandindo a expressão urbana para alcançar tal escala. Contudo, o DI não fez obras para caber no espaço diminuto de uma galeria, e foi um fotógrafo do movimento artístico de que ele fez parte que conduziu parte das imagens que permitem nos aproximar de sua cratividade.”, conta Sérgio Miguel Franco, curador da São Paulo Mon Amour na Maison des Metalos em Paris (2009), Co-curador da Berlin Biennale (2012), mestre pela FAU-USP e doutorando em sociologia pela USP.

#‎DI‬# – Nascido em 1975, começa seus primeiros contatos com tintas, pincéis e paredes em 1988. Sua primeira paixão foi o rock’n roll aos doze anos, mas depois de seus primeiros pixos, fica completamente seduzido pelo projeto de espalhar sua assinatura por muros, picos e prédios por toda a cidade de São Paulo. Oriundo da Vila dos Remédios, Zona Oeste, ele deixa sua marca para a história com seu perfil humilde, comunicativo e engraçado. Falecido em 1997, aos 22, #DI# deixou seu legado para a cidade e para a história da arte.

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A História da Arte encontra lutas travadas comparadas a atos heróicos, engatando uma nova maneira de fazer arte em que instalam uma revolução simbólica. Estas circunstâncias, são ações e discursos que se fazem conectados com o seu tempo, ainda que produzam danos irreparaveis nos guardiães das tradições estabelecidas, como foi o caso da arte acadêmica na França que teve como algoz o Impressionismo, e acalentem discussões levantadas préviamente, como foi o aforismo § 174 de Nietsche “Contra a Arte das Obras de Arte”, feito no final do séc XIX (1880). Este aforismo é categórico na assertiva de que a arte sempre é um longo processo, e as obras apenas um apêndice, neste entendimento, as telas enquadradas de um pixador são um embuste, quando não apresentam o violento enquadro da polícia que está por traz de muitos pixos.

 

Todavia, no médio e/ou longo prazo, estas revoluções de lutas ferozes conquistam um reconhecimento consagrador, possivel de ser visto no momento em que a pixação foi convidada para a 7ª Berlin Biennale na Alemanha (2012). Neste sentido, a talha heróica revela ações coletivas de todo um tempo, além de agregarem experiências significativas em grupo, que tendem a se repercurtir e irradiar. Foi assim com Manet, reunindo seus correlegionários nos Salões parisienses da família de sua esposa, e com cada rolê de pixo do DI. Mesmo que o movimento da pixação nem sempre estivesse fisicamente presente, com um aliado ajudando na intervenção, era para seus companheiros que se movia o pixo, e uma ação individual sempre se tornava coletiva, comentada no point e fixada na memória da sua geração, porventura das vindouras, por mais que os anos posteriores ao ato começacem a abundar.

 

Em uma intervenção do DI no centro de São Paulo, no prédio que serve de garagem para a Faculdade de Direito da USP, temos a proximidade do point do Largo da Memória, que o movimento o consagrava semanalmente reunindo os aliados pelo prazer de relatar as aventuras de cada rolê. Este lugar não era importante apenas para o point, mas também por ser o palco do obelisco mais antigo da cidade (1814). Os seus frequentadores ancestrais partiam dele para a estrada do Piques, e nele seus burros e cavalos abasteciam-se de água na bica que existia. Na geração do pixo que o frequentou nos anos 1980 e 1990, ele foi o local para encontrarem pixadores de toda cidade, e planejarem rolês que somente os pixadores faziam, permitindo dominarem o território de uma metrópole de 20 milhões de habitantes. Construía-se assim uma escultura social que o Joseph Beuys criou na abstração de um conceito, mas não viu do mesmo modo que um pixador, que a aplicou na prática, em uma escala de uma metrópole imensa.

 

O paulista forjou sua tradição com a história dos bandeirantes, os quais viraram monumento histórico sem inovação formal, ou generosidade com a cultura popular nele representada, nesta escultura de Victor Brecheret, inaugurada no Parque do Ibirapuera em 1954. Contudo, a estátua de granito representando o heroísmo dos genocidas foi atacada em 2013 pelas intervenções da pixação, para manifestar que a ação deles foi uma violência devastadora das populações indígenas, uma vez que antes de colonizar o país, os bandeirantes surgiram para aprisionar e escravizar, e somente depois prospectar ouro e esmeraldas, como foi o caso de Fernão Dias, cujos ossos encontram-se na Igreja de São Bento em São Paulo.

 

Hoje, ao formular uma exposição individual do DI também fazemos história, porém agora com o protagonismo da cultura popular que ele representa, que desenvolveu estratégias expandindo a expressão urbana para alcançar tal escala. Contudo, o DI não fez obras para caber no espaço diminuto de uma galeria, e foi um fotógrafo do movimento artístico de que ele fez parte que conduziu parte das imagens que permitem nos aproximar de sua criatividade.

 

Sérgio Franco. Curador da São Paulo Mon Amour na Maison des Metalos em Paris (2009), Co-curador da Berlin Biennale (2012), mestre pela FAU-USP e doutorando em sociologia pela USP.

Idealização: DINO / Curadoria: Sérgio Franco / Co-Curadoria: Enivo / Direção de arte: Bruno Rodrigues / Fotografia: Henrique Madeira , Martha Cooper / Vídeo: Jahjah Filmes / Gravuras: Cristiano Kana /  Expografia: Michel Onguer / Suporte: Jerry Batista, Tché Ruggi, Alexandre Enokawa, Jamile Santos. / Comunicação: Carol Pires, Mariana Belmont

 

Fotos: Henrique Madeira

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1 Comentário. Deixe novo

Puts conheci o di nos anos noventa cara gente boa sem palavras.

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