Insólito – Lobot

A nova mostra de Luís Alexandre Lobot nos redireciona ao que é incomum. Quando vemos um monólito no horizonte ou um banco de madeira retirado de seu uso habitual, ficamos de frente para uma coisa em estado de desuso. As coisas, quando saltam de sua função cotidiana, voltam a ser misteriosas, operando por fora das regras convencionais.

É neste aspecto que temos o prazer de ver o resultado das novas experiências lobotianas acerca da pintura e escultura, onde sua poética entorno do devaneio e dos objetos lúdicos foram aprofundadas.

As paisagens nômades de suas telas continuam desfazendo as hierarquias da percepção numa estratégia mística de driblar nosso espírito. Este jogo requer uma certa maturidade lúdica, pois nos faz visitar épocas incipientes em que um toco de madeira podia ser qualquer coisa. Em outras palavras, verificamos se ainda sabemos sonhar acordado.

O seu oratório particular é uma espécie de heresia, pois somente alguém com maturidade artística, digna de uma criança ou um Bispo do Rosário, pode gerar algo de sua própria substância e adorá-lo. Essa rebeldia compartilhada nos faz perder o tino e rever nossos conceitos diante da tradição religiosa.

Que a arte com humor é mais legal, nós sabemos, mas inventar uma coisa adorável vai além da ironia. A arte aqui inverte as perspectivas e nos faz deixar de ver com os olhos da ideologia, religião, família e dos outros. Ela nos sugere que é possível apreender solidamente o que nos é próprio e que podemos ser o ponto de partida das coisas.

Lobot executa a sua boa e velha manobra de proporcionar estados contemplativos. Contemplar, hoje em dia, é algo dificílimo, mas aqui há uma insistência em lembrar-nos que a poesia é visível e invisível e que as crianças brincam com ela na rua, enquanto os ignorantes pisam nela cotidianamente.

Já os seus cavalos que outrora eram maquetes em caixas de vidro, ganharam maior escala expositiva. Arriscando na tridimensionalidade, incorporando o artista espacial, Lobot produziu esculturas feitas com madeira de lei e ferramentas que podem arrancar um dedo, visando aumentá-las no futuro rumo ao aberto dos parques públicos.

Ficamos daqui satisfeitos com este processo, nos perguntando o que o tamanho tem a ver com a vida. Sentimos, em Insólito, que mais uma vez nos são transmitidas algumas insígnias da intensidade artística, pois como diz Rubens Espirito Santo, a grandeza da arte vem da prática incessante de fazer qualquer coisa – objeto, movimento ou fala – que nos resgata da cama para começar o dia, que nos faz desligar a porra do Netflix para fazermos algo que preste de nossas vidas.

Bruno Pastore, Guarulhos, maio 2022 

Luís Alexandre Lobot’s new exhibition redirects us to that which is unusual. When we see a monolith on the horizon or a wooden bench taken from its usual use, we are facing something in a state of disuse. When things jump out of their everyday function, they become mysterious again, operating outside the conventional rules.

It is in this aspect that we are pleased to see the results of the new Lobotian experiences in painting and sculpture, where his poetics, based around the reveries and ludic objects, was deepened.

The nomadic landscapes of his canvases continue to undo the hierarchies of perception in a mystical strategy to bypass our spirit. This game requires a certain ludic maturity, for it takes us back to incipient times when a wooden stump could be anything. In other words, we verify if we still know how to daydream.

His private oratory is a kind of heresy, because only those with artistic maturity, worthy of a child or a Bishop of the Rosary, can generate something of his own substance and worship it. This shared defiance makes us lose our common senses and review our concepts of religious tradition.

That art with humor is more pleasing, we already know, but to invent something adorable goes beyond irony. The art here inverts perspectives and makes us stop seeing with the eyes of ideology, religion, family, and others. It suggests us that it is possible to strongly grasp what is ours and that we can be the starting point of things.

Lobot performs his good old maneuver of providing contemplative states. Contemplation, nowadays, is something very difficult, but here there is an insistence in reminding us that poetry is visible and invisible, and that children play with it on the streets, while the ignorant people step on it every day.

His horses, priviously maquettes in glass cases, have gained a larger exhibition scale. Venturing into three-dimensionality, incorporating the space artist, Lobot produced sculptures made of hardwood with tools that can bite off a finger, intending to enlarge them in the future towards the magnitude of public parks.

We are left here satisfied with this process, wondering what the size has to do with life. We feel, in INSOLITO, that once again some insignias of artistic intensity are transmitted to us, for as Rubens Espirito Santo says, the greatness of art comes from the incessant practice of making something – object, movement or speech – that takes us out of bed to start the day, that makes us turn off the fucking Netflix to do something worthwhile with our lives.

Bruno Pastore, Guarulhos, May 2022

SERVIÇO Exposição “Insólito” – Lobot

Abertura: 19 de maio de 2022 às 17h 

até 18 de junho de 2022

PRORROGADA ATÉ DIA 26 de junho de 2022

Segunda e terça, das 11h às 18h

Quarta-feira a sábado, das 11h às 19h

Domingo, das 12h às 17h

A7MA Galeria —  Rua Medeiros de Albuquerque, 250 

Vila Madalena São Paulo

+55 11 95301-1796

Entrada gratuita

Informações para imprensa:
a7magaleria@gmail.com 

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