A Arte Como Sopro Vital – Atman de ˚Enivo n’ A7MA

 

“ Atman na Teosofia representa a Mônada, o 7º princípio na constituição setenária do Homem,  o mais elevado princípio do ser humano. Para a Teosofia, cada ser humano possui um Atman, ou espírito individual, que é um reflexo da Alma Universal.O Atman é a idéia  abstrata de “eu próprio”. Ele não difere de tudo o que está no Cosmos, exceto pela autoconsciência”. *                                                                                                                       Do Wilkipedia

˚Enivo atinge seu momento ideal, trabalha com labor e experimentalismo questões da Alma em várias dimensões, da Teosofia à Antropologia, do Hinduísmo ao Carl Jung passando pelas experiências com  Ayuaska e outras plantas de poder, extraindo da sinergia desse cadinho de etnias o eixo da   humanidade que sua pintura exulta com perfume, flanando nas temáticas – construindo e desconstruindo imagens – , outras penetrando o âmago das coisas e pessoas em rotas que se tocam, mas nem sempre se encontram.

Nas obras apresentadas nesta oportunidade ˚Enivo reflete de forma particular sobre o processo de miscigenação que perfaz a brasilidade – o índio, o negro, o branco europeu, o asiático representados como individualidades no cotidiano.

O Aviador Negro, a Mãe Mítica, o Amor Romântico, a Amizade Sincera e os Mistérios da Vida se esparramam num caudaloso rio de afetos que explode em semblantes singelos ou calorosas declarações de Amor. Na lógica fluorescente d’o Enivo não se pode viver sem se apaixonar. Amante incurável, observador sensível com maleável rebeldia, sem nunca perder a ternura! Nas pinturas que dedica à sua musa, além dos bordados na tela e do jogo de planos, ˚Enivo  mergulha em referências, das quais a de Alphonse Mucha (Ivancice 1860 – Praga 1939 – República Checa) é das mais instigantes, mas que tem ainda exemplos como Gustav Klimt, Egon Schiele e Oskar Kokosckha.

Do ponto de vista das técnicas por trás da sua pintura, as obras surpreendem pelos experimentos, exercícios de marcenaria artesanal associados com as múltiplas funções da pintura. Sobrepõe tela sobre tela, recicla, corta, queima, mescla gamas diversas, desconstrói com estilete, tesoura e maçarico. A seguir reconstrói, sobrepõe camadas, descasca as cascas dependuradas como peles trocadas.

Característica notável, que se aprimora a cada série desenvolvida é esse inquieto experimentalismo que ˚Enivo opera com o suporte, adotando modos que, se por um lado remetem ao italiano Lucio Fontana, por outro adotam posturas de suas referências na pintura alemã, tais como Gerhard Richter e Michael Buthe.

Este conjunto de pinturas, perpetradas no ano de 2018 por ˚Enivo, é particularmente especial, alia momentos inspirados nas individualidades com o pico de sua pesquisa sobre os limites da pintura, equilibrando conhecimento e ousadia. Tintas e telas, mas também faca, tesoura, estilete, fogo, calor e paixão.

A criação da obra de arte se traduz – para ˚Enivo – num sopro vital e cabe a cada um de nós renascer a partir dele.

 

Paulo KLEIN

Crítico e Curador de Arte

 

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