Sonho, Arte e Destino

por Aline Anzzelotti

Magma Series
Enivo

Sonhos são um fascínio desde o início dos tempos. Deles, grandes musicas, pinturas, filmes e até ideias geniais surgiram. Dessa forma, como tirar proveito desse mundo desconhecido mas tão rico que existe dentro de nós? Estudos apontam que é possível ter sonhos lúcidos e até fazê-los trabalhar ao nosso favor.

Sonhar que está caindo, ou que está voando. Sonhar com artistas, com parentes que já se foram, com números mágicos. Pesadelos escondidos, uma perda, uma vontade nebulosa. Não sonhar. Assim também, quantas situações acontecem na calada da noite, dentro de nós, as quais jamais saberemos interpretar, mas que marcam nossa memória, de algo que nunca aconteceu.

Na quarentena, as pessoas estão relatando uma atividade maior de sonhos do que de costume o que é um bom sinal. De acordo com Sidarta Ribeiro, que é neurocientista além de muitas outras coisas e diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. – “Sonhar é fundamental para o ser humano e a humanidade passou a sonhar cada vez menos com o tempo, dormindo pouco e tendo uma queda na qualidade de vida e do sono”.

Mas como funcionam e para que servem os sonhos?

Segundo estudos apontados pelo neurocientista, no mundo dos sonhos moram os aprendizados, mora a persistência da memória e mora também as consequências de nossas escolhas, que podem se mostrar nos sonhos apontando alguns caminhos. Sendo assim, sem um sono de qualidade, as pessoas não atingem um grau satisfatório de aprendizagem e retenção de conteúdo. É no momento de dormir que a mente retoma a atividade aprendida durante o dia e fixa no cérebro, trazendo inclusive a melhora na execução daquela tarefa no dia seguinte.

Uma noite de sono é feita de vários ciclos compostos por 4 fases:
N1 – transição da vigília para o sono mais profundo, porém, ainda um sono leve
N2 – desconexão total do cérebro com os estímulos do mundo real
N3 – sono profundo, com descanso da atividade cerebral
E então, chega a fase do sono REM(Rapid Eye Movement). Nessa fase, há intensa atividade cerebral e movimentos oculares rápidos. É quando acontecem os sonhos e também a consolidação da memória.

Sonhei que…

Grandes ideias e obras de artes surgiram do mundo dos sonhos. O primeiro vislumbre de Albert Einstein com a Teoria da Relatividade, veio de um sonho em que vacas que encostavam em uma cerca eletrificada pulavam juntas pela perspectiva dele. Porém, outro personagem do sonho que via de outro ângulo, relatava ter visto uma vaca pulando de cada vez de acordo com a energia passando percorrendo a cerca. Do mesmo modo, outras grandes ideias como a primeira tabela periódica e o grande Google, foram primeiro indicadas nos sonhos dos seus respectivos criadores.

A arte e os sonhos

Se a arte mora em algum lugar, com certeza é nos sonhos. Nas artes encontramos as maiores referências vindas deles. Nos filmes podemos citar: A Origem, que curiosamente fala de sonhos e vale assistir e o Exterminador do Futuro. Livros são incontáveis, mas citando dois grandes clássicos temos Frankenstein e O Médico e o Monstro. Na música, um grande sonhador é Paul McCartney, que compôs duas obras primas, “Yesterday” e “Let It Be” depois de noites de bons sonhos. Claro que não é possível falar de sonhos, sem citar o grande Salvador Dalí, que dividiu inúmeros deles conosco através de sua arte. Assim como Giorgio Di Chirico, Bosh e o contemporâneo Alex Grey.

Os artistas A7ma também sonham
Obra ainda não disponível
Erica Mizutani

Os artistas da família A7MA também não fogem de seus mundos oníricos e entraram nessa reflexão sobre sonhos. Jú Violeta sonha frequentemente com “voar” e é possível observar em suas obras um reflexo disso através de seus personagens fantásticos os quais muitos tem asas. Lobot tem uma grande relação com os sonhos, lembra de muitos deles e descreve cenas surreais que cria na calada da noite.

Paulo Ito nos coloca a questão dos sonhos que são possíveis de se realizarem e aqueles sonhos que são igualmente, importantes de serem sonhados mas de jamais se tornarem realidade. O sonho também tem essa função de por vezes extravasar algum sentimento que na vida real não seria bem recebido. Um desses sentimentos pode ser a carência que o isolamento traz e pode se manifestar nos sonhos, Erica Mizutani criou uma obra linda para consolar os solitários.

Descobrimos também o James Bond dos sonhos da família A7ma, Enivo que conta sonhar com várias situações e missões, sempre no cenário da rua já que é um dos artistas mais presentes na streetart da cidade de São Paulo, igualmente refletindo nos sonhos. Tché, falando de sonhos comenta sobre sua nova série que está sendo produzida “Paisagens Digitais”. Ele conta que são paisagens que aparecem em seus sonhos e de tão vívidas, estão rendendo uma série completa, vem coisa boa por ai.

Sonho que se sonha só é só um sonho…

Alguns rituais que podem ajudar a interação com os sonhos segundo Sidarta Ribeiro:
– Antes de dormir, dizer a si mesmo por um minuto “Vou sonhar, vou lembrar e vou relatar”.
-Ter um “sonhário” e escrever o que sonhou todos os dias, logo depois de acordar. Essa é uma grande chave para estudar os próprios sonhos.

Acima de tudo, precisamos voltar a lembrar dos sonhos constantemente. Foram eles que nos trouxeram das cavernas e são eles que podem construir um futuro melhor. Nos sonhos são reveladas as consequências dos nossos atos. Sonhar pode ser uma grande peneira do que realmente importa para nós. Definitivamente, o clichê sempre tem razão. “Não deixe de sonhar, porque sonho é destino.”

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