Sergio Free é o novo artista A7MA

por Aline Anzzelotti

Um palhaço familiar mas de personalidade forte e seu criador, Sergio Free chegam a A7MA e são os novos representados da galeria. Da pichação marginalizada para a arte reconhecida, um longo caminho percorrido mas cheio de positivismo.

Fundos claros e significativos, parece ter textura mas ao mesmo tempo é a memória que puxa algo mas não sabe ao certo o que. E um palhaço, parecido a algo mas igual a nada. A memória flerta com cada peça do artista Sergio Free, e traz um conceito por trás da estética, e nostalgia de não se sabe o que.

Da Bahia para São Paulo

Sergio nasceu na Bahia, mas pouco ficou por lá e aos cinco anos foi morar em São Paulo. Logo, sua vida havia mudado completamente e para sempre. Primeiramente, pela arquitetura que não tinha absolutamente nada a ver de um lugar para o outro, e para uma criança isso tem muita relevância. Segundo, porque em São Paulo, as ruas tinham escritos, que chamavam atenção para quem nunca havia visto paredes pichadas antes.

Esse foi o primeiro contato com a arte, as pichações do fim dos anos 80. Que deixavam Sergio curioso pra entender, pra descobrir quem fazia aquilo, quem eram aquelas pessoas que se expressavam em qualquer lugar. Pesquisava sobre aquilo, e cada vez mais se interessava pelo movimento.

Os anos 90 e o Grapicho

Foi se envolvendo com o movimento mas não ficou exatamente na pichação. Ele conta que naquela época haviam os pichadores e os grafiteiros, que eram vistos de maneira diferente. Isso porque o grafiteiro desenhava e não só escrevia em muros. Havia uma tensão entre os dois mundos e rolavam brigas e rixas entre eles sempre.

Era muito intenso e legal fazer parte de tudo aquilo, como uma rede social da época. Ao mesmo tempo, a rivalidade e confusão trazia um sentimento negativo. Quem estava envolvido naquilo, normalmente era visto de maneira marginalizada pela sociedade e não como uma tribo de jovens que buscavam firmar suas identidades na cultura local.

No meio de tudo isso, Sergio se voltava sempre para o lado mais artístico, mesmo sem entender exatamente que era isso que fazia. Passou a se dedicar ao Grapicho, que na época eram letras mais elaboradas. Aprendia sobre sombras, cores, técnicas e a desenhar cada vez melhor. E foi se afastando aos poucos daquela linha que sabemos bem que existe entre o picho por picho e o picho que evolui em arte.

Começou a desenhar personagens mas seguia um código de ética que havia aprendido nas ruas e não queria exteriorizar nada que não sentisse ser realmente original. Copiar os outros naquela época era mais que mau visto, nem era praticado de maneira nenhuma, porque quem fizesse perdia respeito. Até que teve sua ideia.

Surfando para a arte

No início dos anos 2000 a onda era o Surf, as marcas de surf em alta e os surfistas brasileiros em grande quantidade. O movimento era todo fim de semana ir pra praia surfar e essa onda chegou no Sergio. Assim, ele pegou sua prancha e surfou. Começou a descobrir esse mundo de um esporte que parecia distante, mas que se revelou muito mais perto do que pensava.

Começou a praticar com frequência e por consequência começou a fazer novas amizades e a expandir seu mundo. Lembram da linha que existe entre a pichação crua e a arte? Então, ela existe em vários áreas da vida, e como havia se afastado do lado marginalizado, passou a ser visto também com outros olhos pelas pessoas. O que trouxe mais respeito e informação para o artista.

Ninguém quer se comparar ao palhaço

Seu personagem nasceu do conjunto de suas vivências e memórias. Percebeu que esse personagem em particular, desperta reações muito diferentes nas pessoas e muitos até o descriminam ou tem medo. Mas, acima disso, para ele o palhaço ainda representa aquela rebeldia de antes. “O palhaço é minha pichação disfarçada” – comenta .

Mas para Sergio, não é só questão de estética. Ele diz que em suas obras existem muitos detalhes que nem todos percebem, mas que tem muito significado para ele. No processo de criação o artista explora essa conexão que traz muita emoção, nostalgia e sentido. Ainda, o artista considera que esse personagem é tão exclusivo para ele, que o afasta até de comparações, porque na vida real, ninguém quer se comparar com “o palhaço”.

Entrando para o time A7MA

Como muito do que é bom chega até nós, Sergio Free apareceu conectado por um dos sócios da galeria. Esse, que já era um admirador e apoiador de sua arte, fez questão de que ele se conectasse ainda mais com nosso mundo. Ele já conhecia a maioria dos envolvidos, já havia trabalhado algumas obras por aqui, mas agora com a conexão estabelecida chega para somar no acervo e riqueza de diversidade e qualidade.

Qual o papel da arte para você Sergio Free?

Sergio Free: – “Para mim, a arte tem o papel de inclusão, de oportunidade, de sermos quem somos através da realização de nossa arte, porque ela traz transformação. Eu busco ser um defensor dos jovens com meu trabalho. Busco inspirar e mostrar aos mais novos que existe algo mais na vida.

A arte sempre trouxe muita positividade para mim, mesmo quando o valor que eu recebia dela não era em dinheiro. Ainda, ela me trouxe elevação e respeito. E através da arte, descobrimos o poder da imaginação, que é o de realizar qualquer coisa que quisermos sem nenhum limite”.

Sergio Free é novo representado pela galeria e suas obras já estão disponíveis em nosso shop online. Para saber mais sobre o artista, clique aqui.

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