Quem é a arte na fila do pão 2020?

por Aline Anzzelotti

Quando situações de impacto global surgem, como guerras, pandemias e catástrofes naturais, o ser humano parece buscar um refúgio em algo que, apesar de tudo o faça ver o sublime da existência acima da nuvem do caos e do medo. A arte parece ser essa ponte, entre o bem e o mal que nunca se separam completamente.

Fazendo uma análise da história, descobrimos a arte como aliada do homem em todos os momentos significativos, estpecialmente nos momentos de agonia e transformação do homem e seu meio. O Renascimento, que é um dos maiores momentos da história da arte, assim como o momento atual, caracteriza uma evolução das estruturas medievais e a dor da Peste Negra, foi um grande exemplo de como a arte traz senso crítico e conforto ao homem.

Mais localmente, podemos citar versos subliminares tão verdadeiramente diretos, que relatavam a aflição da juventude brasileira na época da ditadura no país. Época em que não era possível ser de fato “livre” e certamente sentar com os amigos em um local público, poderia ser muito mal interpretado pela opressão política. Porém, a arte sempre dizia aquilo que jamais podia ser dito:

Obra ainda não disponível
Kueio

“Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá…”
Trecho da música Roda Viva de Chico Buarque de Hollanda

Na era atual, temos um cenário sem dúvida incomparável com o Século XIV. A tecnologia mudou a vida do ser humano completamente e costurou teias de comunicação ao redor do mundo, o que também afeta a arte e a maneira como não só é feita, mas como ela é entregue a seu público.

A fila do pão em 2020

Com a pandemia do Covid-19, vieram as “Lives”, que são transmissões ao vivo que uma pessoa pode fazer de dentro de casa para o mundo inteiro. E é possível transmitir de tudo; entrevistas, monólogos, shows de comédia, música, pintura ao vivo, culinária, desabafos, todo tipo de conteúdo que alguém ache pertinente. No Brasil, foram registradas Lives com 3 milhões de espectadores conectados, número significativo como referência para o futuro do mundo pós Pandemia Covid-19.

Junto com a arte que vem sendo transmitida vem a comprovação do quanto o ser humano ainda anseia por ela não só nos momentos contemplativos triviais mas ainda mais na agonia. A arte vem trazendo esse bálsamo para as almas e acaba gerando sentimentos de empatia e solidariedade. Sentimentos transformados em toneladas de arrecadações, doadas para os mais necessitados nesse momento tão difícil que o mundo enfrenta separado e junto, ao mesmo tempo.

Na visão dos artistas A7MA

Temos duas perspectivas então, que explicam a interação da arte com o meio, dependendo exclusivamente da captação e criação do artista. A primeira seria o entretenimento, aquele momento de olhar sublime que eleva o ser acima da dor e o transporta para um lugar mais confortável, que o permite relaxar e se sentir mais leve para suportar a situação que se apresenta. A segunda perspectiva, seria o desenvolvimento do senso crítico da audiência, onde o artista através da sua narrativa, gera o desdobramento do pensamento e ajuda na lapidação do entendimento de uma cultura referente a alguma questão relevante de sua época.


A artista da família A7MA Ju Violeta, relata que é vegana e tem como elementos em sua arte as questões sustentáveis e ambientais. Ela aponta a atenção que a alimentação chama nesse momento, para a dinâmica entre ela, o corpo e nossa relação com os animais.

Tché Ruggi, outro grande artista da família A7MA, já refletiu em suas obras questões como o rompimento da barragem de Mariana e criou escultura com dinâmica reflexiva sobre o “isolamento social”. Observa ainda, a mudança de valores que acontece nesse momento, que um “simples abraço” parece artigo de luxo e a interação com pessoas se mostra incontestavelmente necessária.

Quando jogamos com a expressão “Quem é a arte na fila do pão 2020, percebemos que ela se mostra como peça sempre fundamental na história do ser humano, definida como “filha de seu tempo” por Enivo, outro artista fundamental da família A7MA. – “O artista reverbera as emoções e sentimentos que pairam na atmosfera do momento social, sendo assim uma antena da sociedade.”

Será a arte, o próprio pão?

Concluindo, poderia ainda ser dito, que não só o artista é a antena que capta a atmosfera social, como também pode ser considerado um “para-raios”, que após captar a energia, a transmuta em arte palpável. Essa arte atinge o indivíduo de maneira mais emocional, contribuindo fortemente para a construção de seu ser. A arte pode não ser considerada necessidade básica, mas sem dúvida é uma necessidade para a alma.

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