Tudo é uma questão de criatividade

por Aline Anzzelotti

“Aventuras do Kuêio na quarentena”
Obra ainda não disponível
Kueio

Quando a palavra “criatividade” é colocada no google, aparecem aproximadamente 51.200.000 resultados. São tantas as definições que fica difícil de escolher uma. Porém, a criatividade se mostra como um conceito vivo, não um substantivo fixo como “casa” ou “rua”, e talvez por isso sua definição jamais possa ser exata.

A roupa que você escolhe para passar o dia, o cardápio criado para um lar, a surpresa para alguém amado, a música que saiu de uma poesia ou desabafo. Tudo é cria-atividade, e ela também é a resposta para um problema. Sendo assim, a criatividade é mais desejada quando é necessário criar algum tipo de alternativa para alguma questão desafiadora, a qual nenhuma outra solução já pensada pode sanar.

Criatividade é para todos?

A criança, que nos seus primeiros anos de vida, tudo experimenta, tudo questiona e tudo quer saber, está em seu primeiro estágio da criatividade pois sem nenhum conhecimento, ela cria inúmeras brincadeiras apenas com sua imaginação. Posteriormente, essa criança começa a ser cerceada, inibida de questionar e experimentar o mundo, e ainda mais, direcionada a seguir um script de “comum senso” que é ensinado nas escolas. As escolas como as conhecemos, foram configuradas para manter a “ordem” como guia do indivíduo, limitando a expansão de sua imaginação.

As limitações não param por ai, e quando o indivíduo atinge a idade adulta e inicia sua vida nos negócios, ele também é bloqueado. Em um ambiente de trabalho comum, o funcionário não é incentivado a criar. Igualmente a escola, é estabelecido um script de conduta o qual precisa ser seguido ou a pessoa será considerada fora do “padrão”. Chega a ser “inoportuno” quando um funcionário tem uma ideia muito diferenciada e na maioria dos casos essa ideia nem exteriorizada é.

Nessa lógica de raciocínio, percebe-se que o indivíduo nasce criativo, e vai desaprendendo a usar essa criatividade ao longo da vida. Então surgem os “irreverentes“, que são os que não “reverenciam” padrões e conceitos pré estabelecidos, e com eles, tudo que é diferente surge, a arte, a tecnologia, a engenharia, a medicina. Todos os avanços, em todas as áreas de desenvolvimento são possíveis, graças aos “irreverentes” Sem eles, ainda estaríamos dentro das cavernas com medo do que houvesse do lado de fora.

Criar vem da necessidade

Mas ninguém aciona a criatividade sem incentivo, e muito do que foi criado na história veio de momentos de grande tensão para o ser humano. Exemplo notável são as guerras, que trouxeram invenções tão variadas para a sociedade. De acordo com uma matéria da revista Super Interessante, as invenções a seguir são alguns dos resultados desses períodos:

  • Forno micro-ondas
  • M&M’s (sim, o chocolate)
  • Panela de Teflon
  • Leite Condensado
  • Computador
  • Margarina
Enquanto isso, os criativos A7ma…

Paulo Ito artista da A7ma compartilha dessa visão quando conta que o que desperta a criatividade nele em geral são os prazos ou algum tipo de limite imposto. Sem essa pressão, muitas vezes a criatividade não dá frutos, já que como falamos anteriormente, a sociedade desde a escola nos ensina a não dar asas a criação. Da mesma forma, Felipe Ikehara não atribui a criatividade somente a “artistas”. Ele acredita que todos os indivíduos são criativos, mas os bloqueios ao longo da vida inibem essa característica humana.

Nosso grande personagem Kueio, partilha uma ideia interessante, relacionada com a incubação de uma ideia. Ele conta que quando era criança, gostava de filmes misturados com desenhos, como “Uma cilada para Rogger Rabbit” e “Space Jam“. Agora no período da quarentena, ele descobriu que Space Jam: O Novo Legado, ou seja a continuação, será lançado (isso mesmo geração anos 90) em 2021 e que essa admiração guardada por tantos anos, ressurgiu e acaba de ser “masterizada” em novas criações.

Diego Aliados
Masterização

Gregg Fraley, escritor e palestrante do tema criatividade, usa o termo “mash up” em seu TedTalk, para descrever o processo de criação. Ele aponta a existência de um esquema para o processo:

  • Inputs (qualquer informação coletada e armazenada no hd interno do cérebro).
  • Problemas (ou pressões) a serem resolvidos de uma maneira nova.
  • Masterização, que é o momento em que os Inputs se unem aos problemas a serem solucionados, criando os;
  • Outputs; a criação, a resposta, a solução, a obra de arte, o microscópio, a penicilina…
Aja ou Haja Criatividade

Esse é um assunto muito extenso e rico, que rende não só um artigo, mas livros, palestras e vidas inteiras reflexivas sobre o conceito. Em tempos de quarentena, fica nítido que a vida jamais voltará a ser como era, ainda bem. Seja como for, porque não aproveitar o momento e resgatar a criatividade que está adormecida dentro de nós, escondida com a criança que imaginava tantas brincadeiras e era feliz.

Igualmente, é preciso criar novas possibilidades, de trabalho, de estudos, de vida. A criação de uma nova maneira de viver é essencial, e esse é o momento. Assim, que ninguém espere “tudo isso passar” para fazer algo. A única certeza que 2020 trouxe, é a de que nada é certo e estável, então talvez valha a pena arriscar criar um novo jeito de viver. E talvez esse novo jeito de viver traga menos miséria para o espírito e mais felicidade para a alma.

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