Já se diria que a arte, principalmente a arte urbana, acontece a partir da foto. Não se desconsidera que o olhar dos fotógrafos urbanos são o que torna tangível a efemeridade da obra. E essa visão não se estende apenas à arte urbana, mas à toda a vida e cultura das ruas - o fotógrafo do cotidiano urbano é quem sacramenta, perpetua e insere o "olhar urbano" na história. E (há de se convir) trata-se de um momento nada descartável de se olhar pela janela.

Especialmente nas últimas duas décadas, o olhar urbano vem amadurecendo. O registro foi se tornando experimentado, saiu da caixa, e a fotografia do gênero assumiu um segundo caráter de arte, uma "sobrearte" que passa do documental para a expressão pessoal. Desse cenário se ocupa NOVO OLHAR URBANO, próxima exposição da A7MA, que traz um recorte dessa transição baseada no trabalho de onze fotógrafos: André Bueno, Carlos Taparelli, Daniel Bernardinelli, Diego Aliados, Dong Sung, Fabio Stachi, Henrique Luz, Lucas Prado, Luciano Spinelli, Luiza Prado, Tabyta Yasmin e Zito.

NOVO OLHAR URBANO reúne conjuntos que vão desde olhares despreocupados das ruas a documentários ácidos da cena underground, o uso de ângulos alternativos e a experimentação pós-fotográfica: "Buscamos mostrar de tudo o que vemos acontecer ao nosso redor neste momento pelo olhar desses fotógrafos. Por isso selecionamos desde caras como o Taparelli, reconhecido por um histórico fotográfico do skate, ao Lucas Prado, um "alquimista" que desenvolveu uma lente para sobreposições, até o Fabio Stachi, que cria um surrealismo artístico cuja fotografia é apenas um primeiro suporte" - explica Tche Ruggi, um dos curadores da exposição.

por Julia Bolliger